União entre município e estado possibilitou nova estrada visando expandir o parque26ª Expodireto Cotrijal incluiu novos eventos na programação com foco na expansão do parque
A edição 2026 da Expodireto Cotrijal já iniciou diferente. A abertura oficial, tradicionalmente realizada no Auditório Central, foi deslocada para a Praça de Alimentação, para conseguir acomodar mais pessoas, o que demonstra o interesse cada vez maior dos produtores em vivenciarem a feira. E não parou por aí, houve a inclusão de novos eventos na programação oficial, dois deles focados na produção de biocombustível. A entrega da Licença Prévia (LP) para a implantação da indústria de biocombustível Soli3 em Cruz Alta, intercooperação entre Cotrijal, Cotripal e Cotrisal e a Abertura da Semeadura da Canola. Além da estreia do Fórum CCSA de Seguros.
E as mudanças estavam também na estrutura do parque, que passa por transição, para o ano que vem estar ainda maior, cumprindo o plano de acomodar expositores em mais de 14 quadras disponíveis para construção de estandes. Para avaliar 2026 e projetar 2027, a ExpoRevista fez uma entrevista exclusiva com o presidente da Expodireto Cotrijal Nei César Manica. Acompanhe os principais trechos dessa conversa.
ExpoRevista – A feira não está mais fazendo a coletiva de encerramento e avaliação final. Mas como o senhor qualificaria a edição de 2026?
Nei Manica – Na Expodireto de 2026 nós tivemos 603 expositores. O parque foi totalmente comercializado, estava lotado. As empresas vieram com materiais, produtos e inovações. A mais alta tecnologia que existe hoje no agro mundial esteve na feira. Tivemos a participação de mais de 70 países a nível internacional. Tivemos um público parecido, mas um pouco inferior do que no ano anterior, tendo em vista toda a crise que o agro gaúcho está passando. Mas o mais importante é que dentro da programação foram realizados todos os eventos. Como novidade, este ano nós tivemos o lançamento da Semeadura da Canola e o primeiro Fórum dos Seguros da CCSA, que é a central das cooperativas de seguro, que também foi um grande evento. E estamos projetando agora pra 2027 a ampliação do parque. Então, em termos globais, podemos dizer que foi um sucesso total, o parque com uma infraestrutura invejável, até dito por muitas pessoas que é a Disney do agronegócio. Pois temos um parque totalmente organizado, arborizado, florido, com toda a infraestrutura pra dar condições para nossos expositores e visitantes. Houve vários movimentos reivindicatórios também, como foi a questão da securitização, e dos juros e outras necessidades que o setor da agropecuária precisa resolver e equacionar. No geral, consideramos que foi a melhor Expodireto de todas. Os negócios foram, em parte, menores pelo momento atual, o que é compreensível. E o mais importante é que as empresas estão mostrando a cada edição as mais modernas tecnologias e inovações, que é o grande foco da Expodireto.
ExpoRevista – Os eventos vêm entrando na programação, como entrou a Semeadura da Canola, a primeira assinatura para a construção da Soli3, assim como quatro anos atrás começou o Fórum da Carne, que se mantém até hoje. A programação flexível é uma tendência do evento? Uma prova de que a Expodireto está sempre ligada no que vem acontecendo e criando esses espaços para novos debates?
Nei Manica – Com certeza, a Expodireto além de ser uma feira de tecnologia e inovação para os negócios, ela se tornou um palco também para fazer grandes eventos dentro de toda a cadeia produtiva, nos commodities, na produção vegetal, na produção animal, na bacia leiteira, na carne bovina. E no seguro agrícola agora e também a realização da audiência pública sobre a questão do crédito de carbono. Se fala muito em remunerar o produtor, mas até hoje a gente não viu resultado positivo, esperamos que isso avance. Que realmente o produtor possa ser remunerado pelo que ele faz em preservação ambiental, da produção com sustentabilidade. Tudo isso vem somar e além disso a feira tem um papel importante que ela consegue reunir a parte política, mas não política partidária, recebemos aqui deputados, senadores, ministros, vereadores, prefeitos, para que junto com as entidades e federações nós possamos atender as necessidades do agronegócio brasileiro.
ExpoRevista – Pela primeira vez a abertura foi realizada na Praça de Alimentação. O motivo dessa mudança, acredito que seja a questão do espaço. A partir de agora será realizada lá?
Nei Manica – Mudamos o local justamente para dar oportunidade para mais produtores e visitantes poderem participar da abertura. Então ficou um local amplo, que é três vezes maior que o nosso auditório. Então deveremos continuar sempre fazendo nesse espaço ou ainda, com a ampliação do parque, se criar um novo espaço para eventos oficiais.
ExpoRevista – O Fórum do Jovem Cooperativista, que acontecia no Auditório Central, se mudou para a Arena Agrodigital, agora com o novo nome de Summit do Jovem Cooperativista. Foi feita uma avaliação de que os jovens se identificariam mais com o espaço da arena?
Nei Manica – É, realmente a Arena Digital tem esse foco, esse viés de muita inovação, muita tecnologia, e os jovens são os que mais estão inseridos nesse processo. Então, quanto mais oportunizarmos os jovens a participarem da Arena Digital, melhor. Inclusive nós fizemos um protocolo de convênio com o South Summit para que a gente possa cada vez mais incrementar esse evento com os jovens produtores.
ExpoRevista – Esse convênio com o South Summit, o que ele realmente representa para a feira?
Nei Manica – O South Summit é um evento internacional, que nasceu em Madrid, depois veio para o Brasil. Está aqui no nosso estado, em Porto Alegre, há quatro anos e reúne pessoas do mundo inteiro no tema da inovação, com start ups. E o South Summit pretende, com essa parceria, atuar mais na cadeia do agronegócio. Para juntos desenvolver um trabalho voltado para o agronegócio nesse grande evento.
ExpoRevista – A expansão do parque já iniciou. Quanto foi feito e quanto ainda falta para que em 2027 se tenha uma feira ainda maior?
Nei Manica – Já fizemos a rodovia nova, que está liberada, fizemos grande parte dos aterros que tem nessa área, e agora vamos remover o asfalto, e começar a fazer a infraestrutura das quadras.
ExpoRevista – Como o senhor avalia esse momento de transição e qual será o aumento real para 2027?
Nei Manica – Nós levamos dois anos para viabilizar a municipalização de uma nova rodovia, depois para a prefeitura com o convênio do deputado Pedro Westphalen, uma emenda fez a nova rodovia, fizemos uma permuta, agora a Cotrijal vai unificar o parque para ver se em 2027 daremos a oportunidade de acomodar muitas empresas que estão esperando há muitos anos dentro, numa fila de espera para estar na feira. Posso assegurar que 40% da área de máquina vai ser ampliada. Número de expositores não tenho como dizer porque, serão 14 quadras de 3 mil metros a mais. Nem todos os espaços serão passados para novos expositores. Muitos querem aumentar seus estandes atuais. Então depois a gente vai ver se a empresa quer mil metros, 2 mil, 5 mil, 1,5 mil metros. Após isso vamos definir a quantidade de empresas. Umas querem aumentar, outras vão entrar, então a gente não sabe bem certo quanto vai conseguir acomodar. O parque permanece com 130 hectares, a parte aproveitada que aumenta.
ExpoRevista – A gente vê que esse ano, até em função do momento atual, as pessoas falando muito de biodiesel, biocombustível. O senhor acredita que essa aproximação da canola, é uma nova oportunidade para o produtor?
Nei Manica – A industrialização é uma necessidade importante até para a gente transformar a soja em commodities, em biodiesel. O biodiesel está num consumo crescente e isso vai agregar muito valor. E a canola tem um teor de óleo maior do que a soja, ela também é um commodity bastante importante para biodiesel, e o Brasil está crescendo muito. Hoje é um dos principais produtores de biodiesel do mundo, e vai continuar crescendo, por isso que nós constituímos a Soli 3 para transformar a grande parte da nossa produção de soja em biodiesel, economizando transporte, armazenagem, agregando valor, e se não tivesse o biodiesel, a cadeia de soja teria sido muito dificultada, porque só em questão do preço, podíamos dizer muito preço por muita oferta de soja, então o biodiesel vem ajudar muito na composição do resultado do produtor.
ExpoRevista – E o senhor acredita que produtores que estão hoje reavaliando, eles podem vir a plantar também canola, ou então fazer mais soja em função dessa questão do combustível?
Nei Manica – A canola é uma cultura que surgiu há pouco tempo, e ela vem se desenvolvendo. Quem plantou 100 mil hectares, fala em aumentar para 300 mil e chegar a um milhão de hectares, então qualquer commodities que tiver resultado o produtor vai querer investir. A canola tem mostrado nesses últimos dois anos que é uma alternativa muito boa para o produtor no inverno, então a área de canola está crescendo sim para a transformação nesse biodiesel.
ExpoRevista – O biodiesel também conversa com a sustentabilidade. É uma alternativa aos combustíveis fósseis?
Nei Manica – Sem dúvida, o biodiesel é uma alternativa muito boa também pela questão ambiental.
ExpoRevista – Neste ano o senhor recebeu uma homenagem muito especial, a Medalha Maurício Sirotsky. Como é ter esse reconhecimento?
Nei Manica – Eu fui informado uma semana antes da Expodireto, que eu seria homenageado com a medalha Maurício Sirotsky. Foi entregue pelo presidente do grupo RBS, Nelson Sirotski. Foi um momento muito importante, que me tocou muito pela homenagem, pela importância pois é um reconhecimento dado para algumas pessoas do estado. Emocionou bastante porque marca uma trajetória de luta pelo agronegócio, pelo cooperativismo e eu fiquei muito feliz. Na hora que o presidente fez a homenagem, citou muitas passagens da minha trajetória, inclusive comparando com a história do pai dele, foi realmente um momento bacana.
27 - Mai
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