Nei César Manica reforçou o papel da feira para as pautas urgentes do campoCerimônia destaca o papel do Rio Grande do Sul para o setor e dá voz às reivindicações dos produtores rurais
A Expodireto Cotrijal, uma das maiores feiras do agronegócio internacional, com a participação de mais de 70 países dos cinco continentes, inovou na abertura da 26ª edição realizada no primeiro dia da feira. De maneira inédita, a cerimônia foi realizada na Praça de Alimentação, em um espaço amplo, o que possibilitou a participação de um público maior.
Com o ambiente lotado, a solenidade reuniu autoridades e lideranças do agronegócio. Mais uma vez, foi reafirmado o papel da feira de aproximar produtores rurais das tecnologias e informações, oportunizando negócios, com olhar para o futuro e compromisso na defesa dos interesses do setor.
Pujança do Agro
Em seu discurso, o presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, destacou que a feira é organizada pelo agricultor, e mostra para o mundo a pujança do campo. “Eu fico muito feliz quando falam que aqui é a Disney do agronegócio. Somos a única feira no Brasil que criou um momento especial, com presença de todos os poderes, de todos os organismos para vir aqui e nos ouvir, saber das nossas necessidades, de como o campo vive, e das dificuldades que o agro tem. E é uma pauta extensa”, declarou o dirigente.
De acordo com ele, o setor tem muitas pautas que já foram discutidas e não resolvidas. Entre elas, a securitização, que sem definição piora a situação dos produtores endividados, além da irrigação e a questão da biotecnologia.
Apoio aos produtores
Representando o governo do estado, o vice-governador Gabriel Souza reforçou a importância da feira para o território gaúcho e a necessidade de apoio aos produtores, além da concretização da securitização das dívidas. “Quando o Rio Grande do Sul vai mal, o Brasil também sente. O produtor gaúcho tem enfrentado uma recorrência de eventos meteorológicos que exige um tratamento específico para a nossa realidade, que é bem diferente da dos outros estados”, afirmou.
Souza lembrou da proposta apresentada pelo Piratini de prorrogação do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), a fim de ampliar investimentos em irrigação, manejo de solo e reserva de água. Ele ainda anunciou o início da digitalização do processo de outorgas de água no estado, com o objetivo de agilizar e facilitar projetos de irrigação e reserva hídrica nas propriedades rurais.
Caminhar ao lado de quem produz
Para o prefeito de Não-Me-Toque, Gilson dos Santos, a organização do evento e o perfil ordeiro do produtor que, apesar de enfrentar inúmeras dificuldades, busca o diálogo para encontrar uma solução para os problemas no meio rural merecem ser lembrados. “Nós precisamos de alguém para nos ajudar e, juntos, buscar uma solução para o nosso agronegócio”, comentou.
Durante a sua fala, o presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, deputado Sergio Peres, destacou que 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado vem do campo. “Precisamos entender a importância do agronegócio e caminhar ao lado de quem produz, porque é do campo que vem o desenvolvimento, o emprego e o alimento que chega à mesa das famílias”, chamou atenção.
Em nome da Câmara dos Deputados, o deputado federal Luciano Zucco declarou que o campo brasileiro vive uma situação-limite. “O produtor assume o risco da safra, assume o risco climático, assume o risco do financiamento. Mas muitas vezes quem fica com a maior parte do resultado não é quem está no campo”, afirmou. Zucco defendeu também a securitização das dívidas rurais como solução para as dívidas, agravadas por secas severas, enchentes e aumento dos custos de produção. Além do endividamento, o parlamentar pontuou que os produtores também demonstram preocupação com o aumento dos custos de produção e com possíveis impactos da reforma tributária sobre a atividade agrícola. Entre os pontos levantados esteve a cobrança de royalties sobre sementes, com impacto nos custos de produção e reduzindo ainda mais a renda dos agricultores.
Securitização volta à pauta
O senador Luis Carlos Heinze, representando o Senado Federal, também reforçou a necessidade da securitização e a necessidade de uma solução para as questões que envolvem a irrigação. “O Tribunal de Contas, o TCU e o TCE também precisam nos ajudar”, salientou. Ele ainda lamentou a morte de mais de 30 produtores gaúchos em 2025.
Ainda integraram a mesa oficial na cerimônia de abertura Ana Mânica, esposa do presidente da Expodireto Cotrijal; e o vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, acompanhado da esposa Dalva Schroeder, além do desembargador do Tribunal de Justiça do Estado Antônio Maria Iserhard, da subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do Ministério Público do Estado, Alessandra Moura Bastian da Cunha; e a defensora pública-geral do Estado em exercício, Silvia Pinheiro de Brum.
Também fez parte do grupo o deputado federal Pedro Westphalen, homenageado na Calçada da Fama da Expodireto 2026, o presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior; Comandante Militar do Sul, General Luiz Cláudio de Mattos Basto; e o ex-governador do Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Representando os estrangeiros, o embaixador de Gana, Nii Amasah Namoale; e embaixador da Tanzânia; John Stephen.
Protesto ordeiro marca cerimônia
Em sua trajetória, a Expodireto também se tornou importante palco de reivindicações para o campo. Na solenidade de abertura, uma mobilização pacífica em defesa do agronegócio chamou atenção. Liderada pela Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER) e pelo Movimento Securitização Já, a ação reuniu cerca de 300 produtores rurais de vários municípios gaúchos. O grupo caminhou um trecho de oito quilômetros até chegar ao parque da Expodireto na segunda-feira pela manhã.
O movimento alertou para as dificuldades que os produtores rurais gaúchos vêm enfrentando: endividamento crescente, sucessivas frustrações de safra, crise nos setores leiteiro e arrozeiro, insegurança jurídica, impactos da cobrança de royalties e falta de políticas estruturantes para o setor. Também cobra uma política de seguro agrícola acessível e funcional.
Ao longo dos dias que antecederam a Expodireto, a Cotrijal realizou interlocuções com os organizadores da mobilização, reafirmando o posicionamento da cooperativa, que está sempre ao lado do produtor e empenhada em buscar alternativas para a sustentabilidade da atividade rural. Desta forma, o movimento realizou atos em frente ao parque e na área de estandes, entregando também um documento com reivindicações às instituições.
Novidades em 2027
Na próxima edição da Expodireto, o público deverá ser recepcionado por um parque ainda maior, lembrando que a área hoje é superior a 130 hectares. A ampliação permitirá que a feira receba novos expositores, especialmente dos segmentos de máquinas e equipamentos. Atualmente, cerca de 200 empresas estão na expectativa de participar do evento e, com a expansão da área de exposição, será possível avaliar quantas poderão ser contempladas no novo espaço. A expectativa é de que a expansão seja concluída até a edição de 2027, agregando 42 mil metros quadrados, o equivalente a 14 quadras.
27 - Mai
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