NOVAS GERAÇÕES NO PROTAGONISMO DA ARENA AGRODIGITAL

Onde inovação, startups e juventude projetam o futuro do agronegócio

A Arena Agrodigital já é consagrada como o ponto de encontro de quem quer entender para onde caminha o agronegócio. Na 26ª Expodireto Cotrijal, o espaço (com cerca de 1,6 mil metros quadrados, arena de drones e mais de 30 empresas) reúne soluções que vão da Inteligência Artificial ao manejo biológico, mas também revela um movimento que vem ganhando protagonismo na feira. A presença de jovens tem ocupado o centro das discussões e dos negócios do campo.

A Arena vem se consolidando como ambiente de troca e construção para a nova geração. Pelos corredores, estudantes dividem atenção entre palestras e estandes, como é o caso dos integrantes do Programa Supernova. Eles estiveram no espaço divulgando as ações do projeto voltado para jovens associados da Cotrijal. Além disso, nos palcos e nas empresas os holofotes se voltam aos jovens profissionais. A Expodireto vem ampliando a programação voltada a esse público, acompanhando uma mudança que já se desenha nas propriedades rurais e nas startups do setor.

Startups e soluções que nascem no campo

Se nas cadeiras a juventude já é maioria, nos estandes ela também ganha espaço. A Arena Agrodigital reúne empresas que traduzem a inovação em soluções práticas, muitas delas com equipes jovens e perfil multidisciplinar.

A Sensorsat, de Três de Maio (RS), é um exemplo. A empresa desenvolve uma plataforma de monitoramento de lavouras que cruza imagens de satélite, Inteligência Artificial e dados agronômicos para gerar estimativas de produtividade e garantir rastreabilidade. A analista administrativa Luana Sabrina Saft, de 24 anos, representa essa nova geração que atua na interface entre tecnologia e produção rural.

A demanda por certificações, especialmente em mercados internacionais, impulsiona ferramentas capazes de validar práticas sustentáveis. Com a análise remota, a empresa substitui etapas de campo mais demoradas e amplia o alcance para áreas de difícil acesso. O resultado é informação precisa para decisões que vão do crédito rural à comercialização. “Hoje não basta produzir de forma correta. É preciso comprovar”, resume Luana, que atua desde os 21 anos na área.

Luana é filha de agricultores, mas entrou nesse universo após a graduação em administração. A trajetória da analista da Sensorsat corrobora com as estatísticas. “Sou filha de agricultores e sempre valorizei o trabalhado do campo. Mas, através da empresa, consegui ver de outras perspectivas como o agronegócio se movimenta e ter uma dimensão ainda mais nítida da importância da atividade”, relata.

Ciência como aliada do produtor

Neste ambiente de inovações protagonizado pela juventude, a Inocular Soluções Agrícolas aponta para outra frente: o solo. Criada a partir de uma pesquisa de doutorado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a startup trabalha com manejo biológico – técnica que utiliza microrganismos para recuperar áreas degradadas com o objetivo de melhorar o desempenho das culturas.

Divulgando o serviço, estava o representante técnico comercial Lucas Leal, de 34 anos. O agrônomo, filho de produtores rurais explica que a produtividade não depende apenas de genética e manejo químico. “Existe um terceiro pilar, que é o biológico. Sem ele, o potencial da lavoura não se sustenta”, afirma. A proposta é olhar para o sistema como um todo, com diagnóstico detalhado e soluções ajustadas à realidade de cada propriedade.

Transição energética e sustentabilidade

O debate sobre os biocombustíveis não poderia ficar de fora da Arena Agrodigital. No evento “Biocombustíveis: a nova fronteira de oportunidades e a inserção estratégica do agro gaúcho” especialistas apontaram caminhos para consolidar o Rio Grande do Sul como referência em bioenergia, aproveitando a força da produção agrícola.

Participaram do painel Geomar Corassa (CCGL), Diego Piotto (SOLI3) e Flávio Mingorance (Refinaria Riograndense), com mediação de Guillermo Dawson. Entre os destaques, o uso de canola e carinata como alternativas de inverno para elevar a renda e qualificar o solo. A rastreabilidade, via plataforma SmartCoop, aparece como elo entre campo e indústria. Já o projeto da Refinaria Riograndense, em Rio Grande, projeta operar como biorrefinaria 100% renovável.

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SUMMIT DO JOVEM COOPERATIVISTA RECEBE INFLUENCIADORA CAMILA TELLES

Evento, que foi realizado na Arena Agrodigital pela primeira vez, abordou a transição geracional

Esse cenário ficou evidente no Summit do Jovem Cooperativista, realizado pela primeira vez na Arena Agrodigital. A palestra de Camila Telles reuniu uma plateia majoritariamente formada por jovens interessados em discutir o futuro no campo.

Camila saiu do interior do Rio Grande do Sul e chegou a atuar como relações públicas em grandes centros. A relações públicas retornou ao campo para trabalhar com a família e vem crescendo como digital influencer, mostrando o dia a dia de quem vive o agro em uma linguagem para o público jovem. “Unindo a comunicação, que é a minha formação, com o conhecimento que vem de berço”, completa.

Ao tratar da chamada sucessão, ela prefere outro termo: continuidade. “Sucessão parece substituição. O que existe, na prática, é a sequência de um legado”. A fala ecoa um ponto recorrente entre os jovens produtores: a necessidade de equilibrar inovação e respeito ao conhecimento acumulado pelas famílias. “Muitas vezes, o que se busca fora está dentro de casa, em uma conversa simples tomando um chimarrão. O desafio é o filho ter humildade para reconhecer que a sabedoria ancestral é a maior escola e, aos poucos, introduzir novas ideias, a partir dos estudos, na gestão da propriedade junto aos pais”, aconselha.

Os números ajudam a dimensionar esse movimento. Embora a saída de jovens do campo ainda seja uma realidade, cresce a participação de pessoas entre 18 e 35 anos na gestão de propriedades — um avanço de 27% nos últimos anos, segundo o Censo Agropecuário de 2025.

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