Inovação e sustentabilidade para o futuro do setor leiteiro foram temas de fórum

Especialistas abordaram importações, manejo de dejetos e planejamento estratégico na atividade leiteira

O Auditório Central da 26ª Expodireto Cotrijal recebeu autoridades, produtores rurais, técnicos e lideranças da cadeia leiteira para o 21º Fórum Estadual do Leite. O encontro promoveu debates sobre responsabilidade ambiental, desempenho produtivo e gestão eficiente, pilares fundamentais para garantir a competitividade da atividade frente às exigências do mercado internacional.

Na abertura, o presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, citou algumas dificuldades pelas quais o setor passa, como o baixo preço do leite. No entanto, para ele, o principal problema atualmente são as importações e a falta de proteção do mercado interno por parte do governo. “Mesmo tendo crescimento de produção, não podemos aceitar a entrada de leite de outros países com subsídios ou outras práticas que acabam prejudicando o preço do nosso produto. Precisamos proteger o nosso mercado e garantir o futuro do nosso produtor”, afirma.

O presidente da Cooperativa Central Gaúcha LTDA (CCGL), Caio Cezar Vianna, destacou a relevância da participação do setor em uma das principais feiras do agronegócio brasileiro. “A produção nacional de leite vem crescendo, mas o país ainda depende de importações, muitas vezes subsidiadas ou vendidas a preços inferiores aos praticados internamente. Diversas entidades e lideranças políticas defendem a luta contra essas importações desleais. A entrada de produtos com valores 25% a 30% abaixo do mercado nacional provoca um forte desequilíbrio nos preços”, avalia. Viana lembrou que o produtor enfrenta ciclos de dificuldade ligados a preços e clima, mas apontou a falta de valorização da atividade com um dos maiores desafios.

Manejo sustentável de dejetos orgânicos e biogás

A programação começou com a palestra “Manejo sustentável de dejetos orgânicos dos bovinos de leite”, ministrada por Marcelo Henrique Otenio, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora/MG). O objetivo foi mostrar como o tratamento e o aproveitamento desses resíduos podem transformar um problema em oportunidade de valor econômico. “Trago uma abordagem mais transversal com relação ao licenciamento ambiental de propriedades leiteiras referente ao manejo adequado de dejetos, mostrando o resíduo como uma oportunidade para o produtor melhorar e aprimorar sua produção”. Ele apresentou inovações no uso de biodigestores para transformar resíduos da produção leiteira em biogás e biofertilizante.

Pastoreio direto no Mercosul Na sequência, ocorreu a palestra “Diferenciais competitivos dos produtores de leite no Mercosul”, apresentada por Alejandro Galetto, consultor da La Federación Panamericana de Lechería (Fepale). Ele fez uma análise regional do mercado e apontou caminhos para ampliar eficiência e rentabilidade. Segundo Galetto, os diferenciais produtivos e competitivos entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai passam por uma mudança estrutural: menos produtores e fazendas cada vez maiores. Para Galetto, “a pecuária leiteira do Mercosul será, por bastante tempo, voltada ao próprio Mercosul e não ao mundo.” Segundo ele, o pastoreio direto vem perdendo relevância na produção de leite, especialmente nos países do Mercosul, que enfrentam dificuldades de competitividade frente à “primeira liga” mundial.

Gestão e Tecnologia

Encerrando os painéis técnicos, o médico veterinário Matheus Balduino Moreira, da Rehagro Consultoria, apresentou a palestra “Gestão: o que os melhores produtores fazem para ganhar dinheiro na crise”. Ele destacou práticas de propriedades de alto desempenho, mesmo em cenários adversos, reforçando a necessidade de aumentar a produtividade, reduzir custos e adotar uma visão integrada da produção. Moreira enfatizou que é essencial trabalhar com produtos que tragam resultados, produzindo mais leite com menor custo e maior eficiência. Segundo ele, as mudanças no cenário competitivo internacional exigem das empresas uma postura voltada para produtividade e gestão estratégica.

Como novidade, apresentou estudos sobre o impacto da vida reprodutiva na taxa de concepção e na perda de prenhez, mostrando como tecnologia e genética podem transformar os rebanhos leiteiros. “Animais geneticamente superiores produzem mais leite, o que se traduz em maior lucro”, afirmou, concluindo que a pecuária leiteira já dispõe de diversas tecnologias e práticas capazes de otimizar a produção e gerar ganhos financeiros significativos.

Realização do evento O 21º Fórum Estadual do Leite é promovido pela Cotrijal e Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL), com patrocínio Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), 3R Ribersolo e apoio do Sistema Ocergs Sescoop/RS, Rede Técnica Cooperativa (RTC) e Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS).

A produção leiteira voltou ao foco no último dia de feira, quando foi promovida, uma audiência pública voltada à lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado.


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