
Com 113 jovens nos estandes, espaço celebra a permanência no campo e o lançamento de produtos que conquistam o paladar dos visitantes
Entre cursar Medicina e continuar vivendo na zona rural, ela decidiu empreender e ganhar a vida fazendo doces. Esta é a história de Stefani Hartmann, 23 anos, que integrou a lista dos 224 empreendimentos de agroindústrias familiares que comercializaram seus produtos no Pavilhão da Agricultura Familiar na 26ª Expodireto Cotrijal. Natural de Cristal, a jovem é oriunda de uma família da cultura fumageira.
Como a mãe Rosa Hartmann, 60, depois de 35 anos plantando fumo já havia decidido mudar de rumo e empreender com o plantio de morangos e fabricação de doces com a agroindústria Morangos da Rosa, Stefani também decidiu não partir para a cidade e ficar. Assim, ela abriu a Hart Doces e nesta edição integrou a lista de jovens do pavilhão. Entre os responsáveis pelos empreendimentos, destacaram-se 113, o que estimula a sucessão familiar.
Entre os produtos comercializados por Stefani, teve um que ficou conhecido como “queridinho” da Expodireto neste ano. É o doce de leite sem açúcar, ideal para quem tem diabetes, que foi comercializado na feira pela primeira vez. “São 38 calorias por porção de 20 gramas”, conta. Conforme Rosa, que trabalha junto com a filha, foram necessários vários testes e consultoria com uma nutricionista até chegar à receita ideal.
Aliás, a dupla destaca a consultoria e assistência que recebe da Emater, Sebrae e Secretaria de Desenvolvimento Rural para garantir o crescimento e o sucesso das agroindústrias. Com linhas alcoólicas e salgadas, as geleias produzidas por mãe e filha já chegaram ao Uruguai. Sobre a linha alcoólica, as receitas incluem os sabores cerveja, caipirinha e espumante. “Entramos na agroindústria e ficamos no campo, com boa renda”, garante Rosa.
Também decidido a empreender com a família depois de trabalhar durante anos fora da propriedade, Bruno Jotti, 24, fez sua estreia na Expodireto. Ele é da Jotti Embutidos, de Caçapava do Sul. Foi o avô Luiz Jotti, 76, que ensinou a arte de fazer salame, copa e outras delícias. O patriarca estava ao lado do neto durante a feira auxiliando nas vendas. A agroindústria tem investido na produção de chapão, aproveitando o “embalo” da cidade vizinha de Sarandi, que recentemente foi declarada a Capital Estadual da Comida de Chapão. Essa iguaria consiste no preparo de salame, bife e queijo fritos na chapa, normalmente acompanhados de saladas, maionese, arroz, feijão e outros pratos típicos.
Bruno conta que a Jotti criou um mascote, um porco de Amigurumi que enfeita o estande e chama atenção dos clientes. “A gente fez uma votação pelas redes sociais e ele foi batizado de Jottinho. Então o porquinho vai com a gente para todas as feiras”, comenta. Graças ao sucesso de Jottinho, que foi feito por uma prima de Bruno, eles passaram a vender miniaturas do porco de croché. Na Expodireto, todos foram vendidos ainda no segundo dia do evento. “É muita alegria pra gente fazer feira e encontrar os clientes, que já nos procuram para comprar nossos produtos”, garante.
Vizinho da Jotti no pavilhão, a Tolotti Sucos e Vinhos é presença certa no evento, conforme a produtora Marinês Potrich Tolotti, 60. Desde o início da agroindústria, há 24 anos, eles comercializam seus produtos na feira em Não-me-toque. “Nós somos de Barra Funda e conhecidos aqui na região. Aqui a gente faz vendas para o cliente ter o nosso produto o ano inteiro em casa”, diz Marinês. Inclusive, um cliente antigo já no primeiro dia de Expodireto buscou uma encomenda de dez caixas.
“Aqui é um ótimo lugar para vender”. É assim que a apicultora Ironilde Oliveira Viana, 57 anos, define a Expodireto para o seu negócio, a Agroindústria Teixeira Viana, vinda do município de Sertão. Em 2026, ela e o esposo, Vilson Teixeira Viana, 63, marcaram presença no evento pela oitava vez. O consumidor encontrou mel composto, própolis e mel em favo. A produção do casal tem uma peculiaridade. Como posicionam as caixas de abelha africana em áreas que ficam entre campos de soja, eles precisam esperar que a colheita do grão seja concluída para poderem atravessar as terras. Até março eles já tinham colhido 4 mil quilos de mel.
Participando pela segunda vez na Expodireto, o artesão Rogério Benedeti, 63, mostrou seu talento com madeira de demolição. Há oito anos, ele abriu a Nature Real em Vanini, município de 2 mil habitantes nos arredores de Serafina Corrêa. Ele trabalha com artesanato, produzindo peças únicas, com destaque para o acabamento diferenciado. Nesta edição, ele contou com a ajuda do filho, o arquiteto Luiz Eduardo Benedeti, 34, morador de Não-me-toque. “Eu trabalhei com madeira a minha vida inteira”, conta. No entanto, foi quando realizou serviço de terraplanagem que começou a recolher troncos de árvore que encontrava nos terrenos e, assim, passou a esculpir peças em troncos e raízes. “Todo o acabamento é feito em óleo mineral e cera de abelha”, explica Rogério, além de utilizar uma lixa super fina. Para a feira, ele trouxe peças menores como tábuas de carne, canecas, quadros e relógios. Mas em sua loja física, tem exemplares de mesas, bancos e luminárias, por exemplo.
Balanço do Pavilhão
Nesta edição, 119 municípios gaúchos estiveram representados no Pavilhão da Agricultura Familiar, com oferta de pães, massas, embutidos, laticínios, cucas, sucos, doces, cachaças, licores e drinks artesanais, atraindo grande público e valorizando a cultura rural.Foram 48 empreendedores que participaram pela primeira vez do evento. O sabor da erva-mate foi um dos destaques, com bolachas, refrigerantes e até sorvete com a erva típica do estado.
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanetti, o espaço tem papel estratégico dentro da feira.“O Pavilhão da Agricultura Familiar demonstra a capacidade de organização e a importância econômica e social da agricultura familiar. Além de gerar renda para as famílias agricultoras, o espaço valoriza o trabalho no campo, incentiva a permanência dos jovens e fortalece o protagonismo das mulheres”, declarou Zanetti. “A Expodireto também é um espaço estratégico de diálogo, visibilidade e construção de políticas voltadas ao desenvolvimento do meio rural”, destacou.
O Pavilhão é promovido pela Cotrijal, Fetag, Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf/RS) e Emater/RS-Ascar, com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).
31 - Mai
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