
Selo pode agregar até 30% de valor ao produto, promovendo o turismo e a cultura local
Reconhecido como símbolo do Rio Grande do Sul e parceiro do gaúcho por onde quer que vá, o chimarrão depende da erva-mate, cultura que tem potencial para explorar outros nichos de mercado e promover o desenvolvimento regional. Este foi um dos recados do 18º Fórum Florestal na Expodireto Cotrijal deste ano, cujo tema foi, Indicação Geográfica - Preservando tradições, construindo futuros. O evento ocorreu no quarto dia da feira, tendo na abertura um grupo de jovens músicos de Palmeira das Missões, que apresentou uma música do Carijo da Canção Gaúcho, festival que ocorre no município.
O Valor do Rosto e da Alma
A Indicação Geográfica (IG), concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), é um instrumento de propriedade industrial que atesta que um produto possui qualidades ou reputação ligadas à sua origem extraída. No Brasil, já são 154 IGs, sendo 16 no Rio Grande do Sul. O setor ervateiro, no entanto, ainda caminha para consolidar seus cinco polos produtores (Nordeste Gaúcho, Alto Uruguai, Alto Taquari, Vales e Celeiro Missões).
"A Indicação Geográfica é a prova de que aquela erva-mate tem raízes, e não apenas um código de barras", afirmou o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar e palestrante do fórum, Ilvandro Barreto de Melo. Para ele, o selo comunica ao mundo que o produto tem rosto e alma. "Dentro do pacote não tem só goma, folha e palito; tem a história de uma região", pontuou.
Machadinho: O Case de Sucesso
O Rio Grande do Sul já possui um exemplo concreto de sucesso: a Região de Machadinho, que conquistou o status de IG em 2025. O diferencial do Polo Nordeste Gaúcho reside na união entre ciência e saber popular. Os produtos certificados (chimarrão, tereré e chá mate tostado) utilizam pelo menos 50% da matéria-prima da cultivar Cambona 4 — uma planta de sabor suave e alta produtividade descoberta pelo produtor Teodoro Mendes da Fonseca (Seu Dorinho).
Além da genética, Machadinho preserva o sistema Barbaquá, um processo artesanal de secagem lenta (de 24 a 48 horas) em temperaturas baixas. "É um método que quase desapareceu. Hoje restam apenas três barbaquás autorizados no estado, em Machadinho, Seberi e Mato Castelhano", relatou Melo. Para Selia Felizari, presidente da Apromate, o selo é o reconhecimento de um trabalho geracional que promove o desenvolvimento sustentável.
Diferencial Competitivo e Turismo
Conforme o gestor estadual dos projetos de Indicação Geográfica do Sebrae, André Bordignon esse reconhecimento pode elevar o valor agregado do produto entre 20% e 30%, melhorar o processo produtivo, gerar acesso a mercados diferenciados, cooperativismo, preservação da biodiversidade e estímulo ao turismo. Diante de possíveis acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, esse diferencial torna-se crucial. "O consumidor quer entender o que está levando para casa. O IG abre portas não só para o varejo, mas para o turismo, conectando a erva-mate a roteiros de visitação, a exemplo do que ocorre no Vale dos Vinhedos", explicou Bordignon.
Bordignon destacou que o Brasil tem muito a desenvolver nesta área. Na Europa, já são mais de 3 mil regiões com selos de identificação de seus produtos, enquanto que o território brasileiro com com 154 IGs, sendo 16 deles no Rio Grande do Sul.
Moradora de Palmeira das Missões e produtora de soja, Jussara Maria Marcon, 64 anos, foi para a Expodireto em busca de conhecimento sobre o cultivo da erva-mate. Ela conta que adquiriu uma propriedade onde há 30 pés da árvores a e prepara terreno para plantar mais 50 mudas, pois quer iniciar o cultivo. “Então foi muito importante para mim participar aqui. Em vim em busca de conhecimento e tudo que precisava encontrei”, disse. Ela projeta para agosto deste ano fazer a primeira colheita.
Ainda participaram do fórum Claudinei Moisés Baldissera, presidente da Emater/RS-Ascar; Fernando Cirolini, difusor técnico de Produção Vegetal da Cotrijal; Kátia Pichelli, representante da Embrapa; Álvaro Bozzetto Pompermayer, presidente do Sindimate/RS; Ismael Rossetti, representante do Ibramate; e Tháles da Rocha Flores, representante do Sebrae RS.
Concurso busca o maior Angico do estado
O evento também foi palco para o lançamento da edição 2026 do Concurso Árvores Gigantes do Rio Grande do Sul. Após premiar a maior erva-mate em 2025, o projeto agora volta seus olhos para o angico, árvore nativa que pode atingir 30 metros de altura e possui madeira nobre e resistente.
O professor Jaime Martinez, coordenador do projeto pela Universidade de Passo Fundo (UPF), explicou que a escolha da espécie segue critérios rigorosos: precisa ser nativa, ter ligação com a cultura regional e relevância para a fauna silvestre. O concurso premiará os dez maiores exemplares de angico do estado, com o resultado final previsto para o dia 21 de setembro, em celebração ao Dia da Árvore.
31 - Mai
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